Como tudo Começou

Era uma vez uma menina chamada Alice, que gostava de ir a uma pracinha perto de sua casa, chamada Praça François Berlanger. Desde que a Alice começou a brincar ali, alguns brinquedos foram quebrando, o gira-gira enferrujou, uma gangorra foi arrancada… e a praça tinha lixo espalhado e areia começando a ficar suja.

Quando estava perto de completar 4 anos, em 2008, Alice pediu:
– Mãe, vamos fazer a minha festa na pracinha?
Cecília, mãe da menina, pensou:
– Uma festa neste parquinho todo detonado???

Ela disse que não dava, mas Alice insistiu. E falou então umas palavras que soaram mágicas:

– A gente conserta, mamãe

Então, Cecília lhe fez uma proposta: Alice abriria mão dos seus presentes de aniversário para ganhar um parquinho novo. E elas pediriam presentes para a praça. Alice topou. E Cecília foi à luta: falou com a sub prefeitura, tocou a campainha dos vizinhos, chamou seus amigos, procurou empresas do entorno. A todos, ela dizia o seguinte: que a Alice ia fazer aniversário e o presente seria alguma colaboração para o parquinho.

No dia da festa, a sub prefeitura consertou os brinquedos e emprestou uns toldos. Amigos músicos foram tocar, um supermercado de perto doou lixeiras que foram instaladas; uma academia colocou uma cama elástica para as crianças brincarem. Alguns vizinhos deram dinheiro, outros vieram contar histórias, fotografar, fazer mosaicos, plantar.

Depois da festa, Alice – e todas as crianças do bairro – tinham um parquinho revitalizado, com uma amarelinha nova e uns lagartos de mosaico enfeitando o muro. Mas, mais do que uma praça, aquela comunidade ganhou um novo sentido: os vizinhos se conheceram, várias pessoas que pensavam parecido se encontraram e cada um viu que, dando um pouquinho, era possível realizar coisas grandes.

Esse grupo de amigos e vizinhos percebeu então que uma única ação não bastaria. Se as coisas continuassem como estavam, em mais 4 anos o parquinho teria de ser revitalizado novamente. Viram que de nada adiantava ter uma praça bonita se ninguém a frequentava, ninguém cuidava dela. Decidiram quebrar aquele círculo vicioso de “a praça está detonada porque ninguém vai, ou ninguém vai porque ela está detonada?” ocupando o lugar. E começaram a promover, todo último domingo do mês, um piquenique comunitário. Nesses encontros, as pessoas poderiam se conhecer, se divertir e deixar a praça melhor que antes.

No primeiro piquenique, outra moradora, chamada Carolina, mãe da Ana, também de 4 anos, conheceu essa história. Elas moravam ali perto, em frente a outra praça descuidada, e estavam conversando com vizinhos e pensando no que poderiam fazer. Foi assim, juntando forças, que a história começou de novo e o Movimento Boa Praça surgiu.

A gente espera que ela ainda se repita, por muitas e muitas vezes, em todas as praças da nossa cidade!

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