Como começar um Movimento Boa Praça

É comum as pessoas se depararem com aquele dilema: “A praça está horrível porque ninguém vai ou ninguém vai porque está horrível?”

Para quebrar esse ciclo, alguém tem de começar a frequentar o local e pensar no que fazer. A estratégia do Movimento Boa Praça é muito simples: comece com um piquenique e convide todos os seus vizinhos!

Diga a eles que você quer pensar no que fazer, em como recuperar o lugar e que quer deixá-lo já, a partir do primeiro encontro, melhor do que antes. Aí, vale pensar em um mutirão para catar o lixo ou varrer, promover pequenos consertos, o que for necessário para ao menos começar.

– Para promover o piquenique, faça um convite simples, com dia, hora, local, uma pequena explicação que anime o pessoal (“Venha conhecer seus vizinhos e vamos juntos recuperar a praça!” é uma possibilidade). Basta tirar algumas cópias e se munir de algo que, em cidades grandes, costuma faltar: coragem para falar com o outro! Mas a gente garante: Não dói nada – e pode render muitos frutos.

– Tente chamar um amigo ou convide seus filhos e aventurem-se tocando as campainhas. Costuma funcionar, para quebrar o gelo, dizer algo como: “Oi, eu sou seu vizinho, moro no número tal”. Aí, engate a frase seguinte: “Vim te trazer um convite.” Pronto, você já assegurou à pessoa que é conhecida e que não quer lhe vender nada. Então, elas costumam sossegar e ouvir. Se há empresas ou escolas envolta, convide-as também! Com o tempo, quando precisar divulgar algo, você vai conseguir identificar quais são as pessoas que topam ajudar na distribuição de folhetos (quem costuma passear com o cachorro ou quem tem tempo, por exemplo), quais são as lojas que deixam colar cartazes e irá montando uma rede de divulgação.

– Crie um evento no facebook, um site simples com fotos do lugar ou um email e avise seus amigos, peça que eles divulguem se conhecem alguém do entorno e vá chamando gente também no mundo virtual.

– As subprefeituras ou prefeituras são responsáveis pelos espaços públicos da cidade, como praças. Entre em contato com a que se ocupa (ou deveria se ocupar) do local que você vai tentar recuperar e conte sobre sua iniciativa. Diga que vai haver um piquenique com os moradores, peça ajuda ou melhorias para o que for necessário. Algumas subprefeituras têm toldos para emprestar ou podem disponibilizar uma equipe de limpeza. Em São Paulo, para eventos até 300 pessoas, não é necessário pedir autorização. Mas é sempre interessante incluir o poder público, iniciar um diálogo e conversar a responsabilidade de cada um no processo.

– Pedidos sobre iluminação ou seguranca podem ser encaminhados à empresa responsável pela luz nas ruas e à delegacia do bairro. Em São Paulo, o Conseg (Conselho de Segurança), dividido por bairros, também pode ajudar.

– No dia do piquenique, um tampo e dois cavaletes ajudam para montar uma mesa comunitária em torno da qual as pessoas se reúnem e na qual podem colocar os comes e bebes que trouxeram. Se houver alguém que possa ensinar algo, tocar música, se apresentar, ótimo. Um atrativo a mais. Mas pode bastar simplesmente encontrar-se para conversar e promover alguma melhoria.

– Rolou o encontro? É hora de ouvir: de onde vieram os que vieram? Por que vieram? O que os moveu? O que eles fazem? A que se dedicam? Tente identificar lideranças e bons propagadores, saber quais são as coisas boas que cada um dos presentes enxerga no local, que soluções consegue propor para os problemas. Se possível, monte uma pequena enquete para recolher informação e anote os emails e telefones de todos para futuros contatos. Moradores antigos ajudam a resgatar a história do local. Se você sair desse encontro com algumas tarefas distribuídas e outros encontros marcados, bingo! Alguém sabe consertar um brinquedo? Alguém tem areia ou tinta para doar? As pessoas estaríam dispostas a ajudar? De que forma?

– Agora que você já começou, o céu é o limite. Dependendo do número de pessoas que conseguir engajar, e das habilidades de cada uma delas, você tanto pode melhorar o lugar quanto eventualmente conseguir reformá-lo. O mais importante, de todo modo, é o seguinte: quebrar o medo do outro e o medo de ir até ali. Ocupar o lugar, criar uma agenda regular de atividades. Porque de nada adianta ter uma praça linda se ninguém a usa! E, só usando-a, é possível entender quais as melhorias de que ela necesita para que mais gente queira frequentá-la.

– Convide as pessoas para trocarem conhecimentos, para mostrarem o que sabem fazer. Tem alguém que toca, danca, canta? alguém que sabe fazer marcenaria, origame, fotografar?Que tal montar oficinas? É possível promover atividades e ocupar a praça apenas com a força e os recursos humanos de seu entorno. que tal promover feiras de troca, manhãs de brincadeiras, de leitura ou contação de histórias?

– Praças, em geral, acolhem as pessoas se elas conseguem enxergar onde o terreno começa e onde termina, se vislumbram um caminho para por ali atravessar. Por isso, é bacana examinar os acessos: o lugar está aberto a várias ruas? Está iluminado? Que equipamentos tem? E ai, dá para pensar em muitas coisas: um parquinho, pequenas mesas, uma horta comunitária, um local de apresentações… Você e seus vizinhos decidem!

– Por fim, mas não menos importante: você notará que conhecer quem mora por perto gera mais segurança e traz benefícios que vão desde receber ‘ois’ e sorrisos quando se sai à rua, até presentes como mangas da árvore alheia! Parar de enxergar o outro como ameaça muda tudo. E, muitas vezes, o olhar atento de seu vizinho, é infinitamente mais eficaz do que a seguranca pública ou a polícia de seu distrito.
Quem sabe em breve você não está comemorando vários anos de atividades, como a gente?

Se quiser trocar ideias sobre atividades, perguntar algo ou nos convidar para as suas atividades, entre em contato: movimentoboapraca@hotmail.com.br

 

2 Comments

  1. Boa noite, venho trabalhando junto a moradores de meu bairro na pequena cidade de Altinópolis, iniciamos a um mês um trabalho na Praça dos Trabalhadores em Altinópolis. Qual a possibilidade fazermos parte deste movimento, que quando conheci aqui neste site, muito se identificou com o que estamos fazendo.
    Terminamos a parte de limpeza da Praça, agora vamos conscientizar as pessoas a não jogarem lixo e sujeira na praça com placas, dependendo da respostas de vcs, já incluimos a logo do projeto nelas.
    Desde já agradeço e parabenizo pelo projeto
    Rodrigo Martins

    • Que legal, Rodrigo, é isso aí! Queremos inspirar mais gente a começar e agir! Você pode ficar nosso amigo no facebook e saber das ações que vamos tocando, e fique à vontade para nos contactar e nos contar também o que vão fazendo! O Boa Praça não consegue sair de São Paulo a não ser que tenha algum patrocínio pra isso. Trabalhamos voluntariamente em nosso bairro e, quando nos chamam para outros locais, só conseguimos dar consultoria e trabalhar se há algum projeto ou patrocínio que possibilite o nosso trabalho. Mas sempre dá para trocar ideias por aqui ou no facebook (acho que lá a respota é até mais rápida!). Um abraço!

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