Praças Paulo Schiesari e Antônio Resk

A praça Paulo Schiesari foi construída nos anos 1980, como contrapartida exigida pela prefeitura à empreiteira que levantou um condomínio de prédios na rua Antonio Gonçalves da Cruz, na Vila Anglo Brasileira, Zona Oeste de São Paulo.
Voltada para os edifícios, a praça tinha uma única entrada, bem em frente às torres. Não à toa, era conhecida como “a praça do prédio”.

Ao lado dela, havia um terreno público que  permaneceu, durante anos, abandonado, lotando-se de lixo.

A situação era de total abandono em 2008, quando o Movimento Boa Praça teve início: brinquedos quebrados, areia suja, falta de iluminação.

Balanço quebrado

O Movimento Boa Praça começou a promover piqueniques comunitários para ocupar o lugar, limpá-lo, e iniciou um diagnóstico, perguntando às pessoas quais eram seus desejos para aqueles espaços, como os utilizavam e por que.

A Escola Estadual Prof. Mauro de Oliveira, que fica em frente à praça, foi convidada a realizar uma atividade: oficinas de redação e desenho com as  crianças, tendo como tema “A Praça dos meus Sonhos”. Esses desenhos e textos foram expostos durante um piquenique, em um grande varal pendurado entre as árvores.

Gabriela Rabello Uras

Respostas surpreendentes apareceram. Algumas criancas pediram, por exemplo, “mesinhas para estudar e fazer a lição”, porque suas casas eram muito apertadas e barulhentas. A partir dessas respostas e do diagnóstico com a vizinhança, os trabalhos ganharam um norte. Houve piqueniques de plantio e poda em parceria com as Secretarias do Verde e do Trabalho, piqueniques de conserto de brinquedos, piqueniques de pintura… Todos foram convidados a participar e a praça foi ficando mais bonita.

Mutirao pintura Schiesari

Ainda assim, o lugar carecia de uma reforma. E aquele terreno baldio abandonado tinha de virar algo melhor. Descobrimos que uma lei proibia situações que gerassem insegurança perto de escolas (tais como falta de luz, lixo acumulado, etc) e fomos atrás do autor da lei: Eliseu Gabriel. Pleiteamos verba junto a esse vereador e, mostrando que estávamos organizados e sabiamos o que queriamos, conseguimos. Mas quem recebe a verba e executa as reformas é a subprefeitura. E nós queríamos fazer a reforma dos moradores, não o que a prefeitura achava que era bom para aquele lugar.

O Movimento Boa Praça conduziu então vários encontros, feitos na própria praça, nos quais foram pensadas soluções para se chegar ao melhor desenho possível. Os moradores foram convidados a desenhar e construir, com massinha e sucata, em uma grande maquete, o que eles queriam. Dois arquitetos voluntários nos ajudaram nesse processo e avaliaram a praça: Sun Alex e Thea Standersky. A eles nosso muitíssimo obrigado!

Reunião 1

Um terceiro arquiteto, Eduardo Martini, se dispôs a juntar todos os desenhos, maquetes, redações e desejos acumulados até então para elaborar o projeto arquitetônico. Ao Edu, nossa gratidão, sempre.

BOA PRAÇA - 08

Acompanhamos a execução da obra realizada pela subprefeitura. Não foi fácil. Chegamos até a promover uma “Desinauguração” da praça e chamar todos os jornais, em um protesto bem humorado, quando a obra parou no meio… Um palhaço, em vez de cortar a fita inaugural, fez com ela um nó!
Do projeto original, foi possível criar dois acessos para as pessoas que vinham da rua de baixo, iluminar o patamar inferior da praça e remover algumas árvores que levantavam o calçamento.

Como a praça tinha dois parquinhos, ambos mal conservados, o patamar de baixo ganhou mesinhas e um espaço livre para usos variados. O terreno abandonado, em frente à praça, foi transformado numa praça nova: a Praça Antonio Resk. Ganhou  um pequeno piso e alguns bancos – daqueles ondulados, que tentam evitar que alguém durma – e conseguem que ninguém fique confortável. Era o que a prefeitura podia fazer naquele momento.

Para melhorar o local, em mutirão, promovemos plantios e fizemos o paisagismo. Em 2013, foi iniciada ali a Horta Comunitária da Vila Anglo. Hoje temos manjericão, alecrim e outros temperos e verduras para colher.

Horta junho 2013

Os bancos ondulados foram transformados, graças ao projeto do engenheiro Raimundo Nóbrega, em bancos com encosto, confortáveis (leia mais aqui) . O material utilizado foi recolhido de caçambas.

Ainda não chegamos onde queremos. A Ilume não cumpriu a promessa de levar luz à nova praça (ela vem sendo iluminada gentilmente com lâmpadas apontadas para baixo pelo condomínio Colinas do Sumaré). O calçamento não foi totalmente refeito porque depende da remoção de algumas árvores. A escada em forma de tribuna, inicialmente prevista no projeto, não foi construída por falta de verba. Mas tudo ficou muito melhor!

Que sonhos ainda temos? Alargar a calçada em frente à escola, fazer uma lombo-faixa para que as crianças atravessem em segurança, trocar o muro da escola por grades para amenizar a paisagem, realizar projetos com as crianças em um imenso pomar que a escola tem, abrir a quadra de esportes aos finais de semana…

Quem sabe você não topa nos ajudar neles?

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